<T->
          Alegria de Saber
          Portugus -- 4 srie
          Ensino Fundamental
          
          Anina Fittipaldi
          Maria de Lourdes
          Lucina Maria Marinho Passos

          Impresso em 3 partes na 
          diagramao de 28 linhas de 34 caracteres.
          
          Segunda Parte

          Ministrio da Educao
          Instituto Benjamin Constant
          Av. Pasteur, 350-368 -- Urca
          22290-240 Rio de Janeiro 
          RJ -- Brasil
          Tel.: (21) 3478-4400
          Fax (21) 3478-4444
          -- 2007 --

<P>
          Copyright Anina Fittipaldi,
          Maria de Lourdes e
          Lucina Maria Marinho Passos

          ISBN 85-262-5295-X

          Direo adjunta editorial:
          Aurelio Gonalves Filho
          Responsabilidade editorial:
          Suely Yukiko Mori Carvalho
          Roberta Lombardi Martins
          Edio:
          Rita Narciso Kawamata
          Ana Luiza Couto
          Assistente editorial:
          Lidiane Vivaldini Olo

          Direitos desta edio cedidos  Editora Scipione Ltda.

          Av. Otaviano Alves de Lima, 4.400 -- 6 andar
          e andar intermedirio Ala B
          Freguesia do  -- 
          Cep 02909-900 
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          Tel.: (11) 3990-1810
          ~,www.scipione.com.br~,
<p>
                                I
<R+>
<F->
Sumrio 

Segunda parte

Unidade 4

Aventureiros? Heris?

Uma atividade diferente :::: 127
Vamos ler 1 ::::::::::::::: 129
"O homem, as viagens", 
  Carlos Drummond de 
  Andrade
Seguindo as pistas do texto
Discutindo as idias do 
  texto
Ateno  fala e  
  escrita ::::::::::::::::::: 135
Texto do dia-a-dia ::::::::: 136
Detalha puxa detalhe ::::::: 139
Agora voc escreve ::::::::: 140
Avaliando o texto
Vamos ler 2 ::::::::::::::: 141
"Pedro, o menino navegador", 
  Lcia Fidalgo
Seguindo as pistas do texto
<p>
Discutindo as idias do 
  texto
Texto dialoga com texto :::: 145
Curiosidade :::::::::::::::: 149
Trabalhando a oralidade :::: 152
Vamos ler 3 ::::::::::::::: 154
"O mundo de pernas para o 
  ar", Amyr Klink
Seguindo as pistas do texto
Discutindo as idias do 
  texto
Agora voc escreve ::::::::: 159
Avaliando o texto
Divertimento ::::::::::::::: 160
Texto do dia-a-dia ::::::::: 162
Roda de leitura :::::::::::: 165
Divertimento ::::::::::::::: 167
Vamos ler 4 ::::::::::::::: 169
"Joo e Maria", Sivuca e 
  Chico Buarque
Seguindo as pistas do texto
Discutindo as idias do 
  texto
Na ponta da lngua ::::::::: 172
Uma atividade diferente :::: 174
<p>
                            III
Unidade 5

Brasileiros, sim senhor!

Uma atividade diferente :::: 176
Vamos ler 1 ::::::::::::::: 177
"Nacionalidade", Raquel de 
  Queiroz
Seguindo as pistas do texto
Discutindo as idias do 
  texto
Na ponta da lngua ::::::::: 183
Curiosidade :::::::::::::::: 185
Texto dialoga com texto :::: 188
Detalhe puxa detalhe ::::::: 191
Trabalhando a oralidade :::: 191
Vamos ler 2 ::::::::::::::: 194
"Direito  cultura", 
  Maria Clara Machado
Seguindo as pistas do texto
Discutindo as idias do 
  texto
Detalhe puxa detalhe ::::::: 198
Divertimento ::::::::::::::: 199
Na ponta da lngua ::::::::: 200
Agora voc escreve ::::::::: 202
Avaliando o texto
Roda de leitura :::::::::::: 204
Vamos ler 3 ::::::::::::::: 208
"A peleja", Ana Maria 
  Machado
Seguindo as pistas do texto
Discutindo as idias do 
  texto
Ateno  fala e  
  escrita ::::::::::::::::::: 213
Uma atividade diferente :::: 214

Unidade 6

Ler  bom, no ?

Uma atividade diferente :::: 216
Vamos ler 1 ::::::::::::::: 218
"Um", Christiane Gribel
Seguindo as pistas do texto
Discutindo as idias do 
  texto
Agora voc escreve ::::::::: 224
Detalhe puxa detalhe ::::::: 224
Divertimento ::::::::::::::: 226
Vamos ler 2 ::::::::::::::: 227
"Um aplogo", Machado de 
  Assis
Seguindo as pistas do texto
<p>
                               V
Discutindo as idias do 
  texto
Trabalhando a oralidade :::: 234
Curiosidade :::::::::::::::: 235
Detalhe puxa detalhe ::::::: 237
Divertimento ::::::::::::::: 238
Na ponta da lngua ::::::::: 239
Agora voc escreve ::::::::: 240
Avaliando o texto
Vamos ler 3 ::::::::::::::: 241
"Romeu e Julieta",William 
  Shakespeare
Seguindo as pistas do texto
Discutindo as idias do 
  texto
Texto dialoga com texto :::: 246
Trabalhando a oralidade :::: 249
Ateno  fala e  
  escrita ::::::::::::::::::: 250
Roda de leitura :::::::::::: 251
Textos do dia-a-dia :::::::: 255
Divertimento ::::::::::::::: 256
Vamos ler 4 ::::::::::::::: 257
"A bola", Luis Fernando 
  Verissimo
Seguindo as pistas do texto
Discutindo as idias do 
  texto
Detalhe puxa detalhe ::::::: 263
Curiosidade :::::::::::::::: 264
Uma atividade diferente :::: 265
<F+>
<R->

<91>
<Tale. saber 4 srie> 
<T+127>
Unidade 4

Aventureiros? Heris?

  Nesta unidade, voc vai
ler diferentes textos sobre
pessoas que enfrentaram o
desconhecido, lutaram e
venceram.Algumas se
tornaram famosas; outras,
annimas, continuam se
aventurando.
  Quem  seu heri?

<92>
Uma atividade diferente

  Responda s perguntas da ficha em uma folha de papel:
  Qual  seu heri:
 a) no cinema?
 b) na televiso?
 c) nas histrias em quadrinhos?
 d) na literatura?
 e) no mundo?

  Depois de responder, apresente sua ficha para a classe. Com seus colegas, veja se algum nome se repetiu.

<93>
  A seguir, analise o resultado de uma pesquisa feita por um jornal brasileiro:

  Qual  o maior heri brasileiro de todos os tempos?
  Resposta espontnea e nica, 
 em %

<R+>
 Ayrton Senna -- 11 
 Getlio Vargas -- 6
 Pel -- 5
 Tiradentes -- 4
 Fernando Henrique Cardoso -- 3
 Tancredo Neves -- 3
 Povo -- 3
 Familiares -- 2
 Deus -- 2
 Outros -- 25
 Nenhum -- 12
 No sabe -- 24

*Folha de S. Paulo*. So 
  Paulo, 23 abr. 2000, Caderno Mais!
<R->

  Agora, a classe vai montar uma galeria de heris. Recorte de jornais e
revistas os heris que apareceram na pesquisa da classe e na pesquisa do
jornal. Organize um painel com as ilustraes, coloque-o no corredor da
escola e deixe uma folha em branco para que os colegas de outras sries
completem o painel com seus prprios heris.

<94>
Vamos ler 1

  O ser humano gosta de experimentar, vencer desafios...

<R+>
O homem, as viagens

 O homem, bicho da Terra to pequeno
 Chateia-se na Terra
 Lugar de muita misria e pouca diverso.
 Faz um foguete, uma cpsula, um mdulo
 Toca para a Lua
 Desce cauteloso na Lua
 Pisa na Lua
 Planta bandeirola na Lua
 Experimenta a Lua
 Civiliza a lua
 Coloniza a Lua
 Humaniza a Lua.

 Lua humanizada: to igual  
  Terra.
 O homem chateia-se na Lua.
 Vamos para Marte -- ordena a suas mquinas.
 Elas obedecem, o homem desce em Marte
 Pisa em Marte
 Experimenta
 Coloniza
 Civiliza
 Humaniza Marte com engenho e 
  arte.

<95>
 Marte humanizado, que lugar quadrado.
 Vamos a outra parte?
 Claro -- diz o engenho
 Sofisticado e dcil.
 Vamos a Vnus.
 O homem pe em Vnus
 V o visto --  isto?
 Idem
 Idem
 Idem (...)

 Outros planetas restam para outras colnias.
 O espao todo vira Terra -- a -- terra. (...)

 Ao acabarem todos
 S resta ao homem
 (estar equipado?)
 a difcil dangerosssima viagem
 de si a si mesmo:
 pr o p no cho
 do seu corao
 experimentar
 colonizar
 humanizar
 o homem
 descobrindo em suas prprias inexploradas entranhas
<p>
 a perene, insuspeitada alegria
 de conviver.

Carlos Drummond de Andrade. *Seleta
em prosa e verso*. Rio de Janeiro:
Record, 1987.

<96>
Seguindo as pistas do texto

 1. Releia as estrofes, observando o sentido das palavras ou expresses
destacadas de acordo com o texto.
 a) 1 estrofe: cauteloso -- civiliza -- coloniza -- humaniza
 b) 2 estrofe: ordena -- experimenta -- com engenho
 c) 3 estrofe: engenho -- dcil -- idem
 d) 5 estrofe: inexploradas -- de si a si -- perene -- conviver

 2. O poeta cria palavras, sugerindo tambm novos sentidos. Com a ajuda
do professor, explique o sentido das palavras e/ou expresses
destacadas:
 a) Terra -- a -- terra 
 b) dangerosssima

3. Selecione, do quadro, os termos que do as caractersticas do
personagem dos versos a seguir:
  conquistador -- revoltado -- alegre -- inquieto
 a) O homem, bicho da Terra to pequeno
 Chateia-se na Terra
 b) Pisa em Marte
 Experimenta
 Coloniza
 Civiliza
 Humaniza Marte com engenho e 
  arte.

 4. Para caracterizar a Terra, o autor usa como recurso a oposio. Que
oposio  essa?
 5. Para sugerir que o planeta Vnus fica igual  Terra depois de explorado,
o autor utiliza um outro recurso. Que recurso  esse?
<p>
 6. Na 3 e na 4 estrofes, o autor d caractersticas de ser humano 
mquina. Escreva os versos que justificam essa afirmao:

<97>
Discutindo as idias do texto

 1. O ttulo fala de viagens. Qual  a primeira viagem apresentada no
poema? E a ltima?
 2. Explique, com suas palavras, a seqncia de aes realizadas pelo
homem para conquistar a Lua.
 3. pr o p no cho
 do seu corao
  Em sua opinio, o que significam esses versos?
 4. Nos ltimos versos, o poeta diz o que o homem precisa conquistar.
  Que conquista  essa?

5. D sua opinio:
 a) No mundo de hoje, os homens convivem bem?
<p>
 b) O autor considera atitudes humanas adequadas ou no? Por qu?
 c) Que conquista pode melhorar a vida do homem? E voc, o que
deseja conquistar?
<R->

Ateno  fala e  escrita

  O homem (...) *chateia-se* na Terra
  Se ele se chateasse na Terra...

  Compare a pronncia das palavras grifadas. As slabas finais so
pronunciadas de forma semelhante, o que pode gerar confuso na escrita.
<R+>
 1.  possvel estabelecer uma diferena entre essas palavras? Converse
com o professor.
<p>
 2. Copie as frases a seguir, completando-as com uma das
opes entre parnteses:
 a) Se o homem ..... bem, no precisaria fazer tantas viagens espaciais.
(convivesse -- convive-se)
 b) Na Terra, ..... para viver com dignidade. (trabalhasse -- trabalha-se)
 c) ..... foguete para viagens espaciais. (Comprasse -- Compra-se)
<R->

<98>
Texto do dia-a-dia

  A chegada do homem  Lua, em 20 de julho de 1969, foi -- e ainda  --
motivo para reportagens em jornais e revistas.
<p>
A conquista da Lua

Faz 35 anos que os primeiros 
  astronautas chegaram ao satlite 
  da Terra 

  No ltimo dia 20, fez 35 anos que os
primeiros astronautas chegaram  Lua,
distante 384.400 quilmetros da Terra.
Este  um pequeno passo para o
homem e um grande salto para a
humanidade, disse o astronauta
americano Neil Armstrong, quando
aterrissou em solo lunar, junto com seu
colega *Buzz Aldrin*. Ele estava querendo
dizer que aquela seria uma das maiores
conquistas do homem no sculo XX.
  Depois deles, outros astronautas
viajaram  Lua at 1972. As pegadas
deles esto l at hoje porque na Lua
no existe vento nem chuva para
apag-las. Agora, 35 anos depois, os Estados Unidos planejam a
retomada dos vos para a Lua. O presidente americano George W. Bush
disse que quer enviar astronautas no s  Lua, mas tambm a Marte.

<R+>
*O Globo*. Rio de Janeiro, 24 jul. 2004, Globinho.

 1. O assunto apresentado na reportagem tem importncia social? Por qu?
 2. A reportagem reproduziu a 
  fala de um dos astronautas.Que fala foi essa?
 3. Por que reproduzir uma fala  um recurso comum em reportagens e
textos informativos?
 4. A linguagem utilizada nesse texto jornalstico  pessoal ou impessoal? 
potica ou objetiva?
 5. Voc tem a mesma opinio dos astronautas com relao  chegada do
homem  Lua?

<99>
<p>
Detalhe puxa detalhe

 1. Leia os trechos abaixo. Quais deles so poticos e quais so informativos?
 a) Lua de So Jorge
 Lua deslumbrante
 Azul verdejante
 Cauda de pavo (...)

Caetano Veloso. Lua de So Jorge. Paulo
Franchetti e Acir Pcora. *Caetano Veloso*.
So Paulo: Abril Educao, 1981.
(Literatura 
  Comentada).

 b) A lua  grande e ns
 queremos desembarcar
 em mais pontos, descobrir
 muitas coisas sobre a sua
 natureza.

*Veja*. So Paulo: Abril. 
  Edio especial
n.o 26, ano 36, ed. 1821, set. 2003.
<R->

Agora voc escreve

  O professor vai dividir a classe em quatro grupos, e cada grupo vai
escolher um(a) brasileiro(a) importante nas seguintes reas: Medicina,
Esportes, Cincia e Tecnologia, Artes e Literatura. Cada grupo vai pesquisar
informaes acerca das personagens escolhidas e justificar sua opo.
  Depois os grupos vo redigir, em linguagem adequada, seus trabalhos
de acordo com as orientaes a seguir.

  -- Capa: nome da escola, ttulo da pesquisa, nome completo dos
componentes do grupo e data da apresentao.
  -- Sumrio: segunda pgina, com os subttulos do trabalho e o nmero
da pgina em que aparecem.
  -- Introduo: terceira pgina, com o tema e o objetivo da pesquisa.
  -- Desenvolvimento: a partir da quarta pgina, com a pesquisa.
  -- Concluso: o que o grupo concluiu do trabalho.
  -- Bibliografia: ltima pgina, com os nomes de obras usadas na pesquisa.

Avaliando o texto

  Cada grupo vai mostrar sua pesquisa para a classe, que vai avaliar:
  -- A capa e o sumrio esto de acordo com as orientaes?
  -- O objetivo da pesquisa  apresentado na introduo?
  -- O desenvolvimento est dividido por assunto?

<100>
Vamos ler 2

  H muitos sculos, voar era um sonho impossvel.Assim, os homens se
aventuravam no mar...
<p>
<R+>
Pedro, o menino navegador

 Os meninos, naquela cidade, j nasciam com desejo de mar! ()

 E foi assim que Pedro cresceu: ouvindo falar do mar,
 das conchas, dos encantamentos e das sereias!

 De olhos bem abertos, ele sonhava com
 o dia em que seria navegador nos sete mares. ()
 L onde o mar termina.
 L onde ele queria chegar! (...)

 Um dia, um convite.
 Convite feito pelo rei.
 O sonho tinha virado realidade.
 Pedro no era mais um menino.
 Era, agora, PEDRO LVARES CABRAL,
 o homem que seria o Capito-Mor de uma
<p>
 importante expedio que ia cruzar o Atlntico. (...)

 Com mais de mil homens,
 Pedro lanou-se ao mar para descobrir
 novas terras e se tornar um grande navegador.
 Partiu em busca das famosas riquezas do Oriente,
 que conhecia das histrias que o acompanhavam desde 
menino ()

 At que, um dia, o cu azul e liso
 acordou a manh com boas notcias.
 Ao ver o primeiro sinal de terra firme,
 os homens gritaram:
 -- Terra  vista! (...)

Lcia Fidalgo. *Pedro, menino navegador*. Rio de Janeiro: Manati, 2000.

<101>
<p>
Seguindo as pistas do texto

 1. Releia:
  Os meninos, naquela cidade, j nasciam com desejo de mar!
 a) Que sentido pode ser dado  palavra *j* no trecho acima?
 b) Como pode ser entendida a expresso com desejo de mar?
 c) Observe a locuo *naquela cidade*. Ela se refere a uma cidade de
um conhecido pas.
  -- Essa cidade fica perto ou distante do narrador? Por qu?
  -- E se tivesse sido utilizada a expresso nesta cidade, a cidade
estaria perto ou distante do narrador?
  -- Com base no texto, em que pas fica essa cidade? 
  -- Se o trecho fosse Naquela cidade, os meninos j nasciam com
desejo de mar!, o sentido seria alterado? No.

 2. O texto cita o nome de uma personagem importante da histria do
Brasil. Que personagem  essa e qual foi sua importncia?

Discutindo as idias do texto

 1.  possvel afirmar que o texto apresenta uma oposio entre o desejo
de uma criana e o sonho realizado de um adulto? Por qu?
 2. Qual era o grande desejo de Pedro?
 3. O que possibilitou que esse sonho fosse realizado?
 4. Segundo o texto, qual era o grande objetivo de Pedro ao navegar?

<102>
Texto dialoga com texto

 1 --
 Faz muito tempo

 Foi em 1500,
 em Portugal,
 do outro lado do mar.
 Havia um menino
 chamado Pedrinho.
 E havia o mar.
 Pedrinho amava o mar.
 Pedrinho queria ser
 Marinheiro.
 Tinha alma de aventureiro.

 Perguntava sempre
 Para o pai:
 -- O que  que h
 do outro lado do mar?
 O pai sacudia a cabea:
 -- Ningum sabe, meu filho,
 ningum sabe...

 Naquele tempo,
 ningum sabia o que havia
 do outro lado do mar.

 Um dia,
 o padrinho de Pedrinho
 chegou.
 O padrinho de Pedrinho
 era viajante.
 Chegou das ndias.
 Trouxe de suas viagens
 coisas que as pessoas
 nunca tinham visto...
 Roupas bordadas
 de lindas cores... (...)

 At que o padrinho
 convidou:
 --  menino,
 tu queres ser marinheiro?
 Pedrinho arregalou os olhos.
 -- No tens medo?
  Pedrinho?
 Pedrinho bem que tinha medo.
 Mas respondeu:
 -- Que nada, padrinho,
 homem no tem medo de nada.
 (...)

 Pedrinho embarcou. (...)

Ruth Rocha. *Faz muito tempo*.
So Paulo: tica, 2000.
<R->

<103>
 2 --
 A viso de uma nova Terra

  Em 1500, o rei de Portugal confiou a Pedro
lvares Cabral uma esquadra composta de
treze embarcaes e aproximadamente 1500
homens. Ele partiu de Portugal em 9 de
maro de 1500, com o objetivo principal
de estabelecer o comrcio com as ndias.
  Entretanto, ao chegar ao noroeste da
frica, desviou-se para o Ocidente, ou
seja, afastou-se da rota conhecida para as
ndias.
  No dia 21 de abril, os viajantes
avistaram sinais de terra. Era a Amrica. Na
manh seguinte, viram um monte arredondado que
chamaram de Monte Pascoal, pela proximidade da festa da
Pscoa. A armada aportou ento num abrigo seguro que foi
chamado de Porto Seguro (hoje baa Cabrlia, no atual estado da
Bahia) e ali permaneceu durante dez dias.

<R+>
Nelson Piletti e Claudino 
  Piletti. *Histria & vida 
  integrada*. So Paulo: tica, 2004. v. 2.
<R->

  Os trs textos dialogam entre si.Tm o mesmo tema, contado por
diferentes autores, com diferentes finalidades. Dessa forma, utilizam
diferentes linguagens.
<R+>
 1. Compare os textos e apresente:
 a) seus pontos semelhantes;
 b) seus pontos divergentes;
 c) as vozes que falam em cada um deles:

 2. No texto Faz muito tempo, uma personagem usa construes em sua
fala que permitem supor que ela seja de origem portuguesa. Que
personagem  essa? Justifique sua resposta com trechos do texto.
 3. Entre os trs textos apresentados, quais misturam realidade e fantasia?
  Por qu?
<R->

<104>
Curiosidade

  Em 1500, as cartas demoravam muito tempo at chegar a seu
destinatrio, mas no havia outra maneira para fornecer informaes.
Quando a esquadra de Cabral chegou ao Brasil, seu escrivo, Pero Vaz
de Caminha, escreveu uma carta ao rei de Portugal informando sobre
as terras a que haviam chegado e sobre seus habitantes.
  Conhea a carta e observe como Caminha apresenta ao rei a nova terra.
  Identifique, com seus colegas, as partes em que h descrio, em
que h narrao e em que o escrivo d sua opinio sobre o ocorrido.

A Carta de Caminha

  A feio deles  serem pardos, um tanto avermelhados, de
bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem cobertura
alguma. Nem fazem mais caso de encobrir ou deixar de encobrir
suas vergonhas do que de mostrar a cara. Acerca disso so de
grande inocncia. Ambos traziam o beio de baixo furado e
metido nele um osso verdadeiro, de comprimento de uma mo
travessa, e da grossura de um fuso de algodo, agudo na ponta
como um furador. Metem-nos pela parte de dentro do beio ().
E trazem-no ali encaixado de sorte que no os magoa, nem lhes
pe estorvo no falar, nem no comer e beber. (...)
  O Capito, quando eles vieram, estava sentado em uma
cadeira, aos ps uma alcatifa por estrado; e bem vestido, com um
colar de ouro mui grande, ao pescoo. E Sancho Tovar, e Simo de
Miranda, e Nicolau Coelho, e Aires Correia, e ns outros que aqui
na nau com ele amos, sentados no cho nessa alcatifa.
Acenderam-se tochas. E eles entraram. Mas nem sinal de cortesia
fizeram, nem de falar ao Capito; nem a algum. Todavia um deles
fitou o colar do Capito, e comeou a fazer acenos com a mo em
direo  terra, e depois para o colar, como se quisesse dizer-nos
que havia ouro na terra. E tambm olhou para um castial de
prata e assim mesmo acenava para a terra e novamente para o
castial, como se l tambm houvesse prata!

<R+>
Pero Vaz de Caminha. *Carta a El-Rei D. Manuel*. ~,http:www.bibvirt.futuro.~
  usp.br~,
Acesso: 05 nov. 2004.
<R->

<105>
Trabalhando a oralidade

  Cabral descobriu o Brasil por acaso ou j sabia da existncia destas
terras e para c se encaminhou?
  Leia o manifesto indgena a seguir e, depois, debata com seus colegas: o
Brasil foi realmente descoberto por Pedro lvares Cabral?
<p>
<R+>
O descobrimento do Brasil visto 
  pelos indgenas

 Esse branco intruso diz que foi ele
 quem descobriu o Brasil.
 Assim que as crianas aprendem
 nas escolas de branco.
 Mas os brancos no descobriram
 o Brasil!
 Os ndios j moravam nesta terra!
 Por isso, um ndio Kaimb falou assim,
 Na assemblia do povo Xok:

 O BRASIL NO FOI DESCOBERTO
 O BRASIL FOI ROUBADO!

Eunice Dias de Paula, Luiz Gouvea de Paula e Elisabeth Amarante. *Histria dos povos indgenas -- 500
anos de luta no Brasil*. Petrpolis/
  Braslia: CIMI/Vozes, 2001.
<R->

<106>
Vamos ler 3

  O mar sempre exerceu fascnio sobre os homens. Desde o tempo das
Grandes Navegaes at os dias de hoje, os homens continuam querendo
desvendar seus mistrios...

O mundo de pernas para o ar

  Naquela mesma noite fui acordado diversas vezes por ondas que
golpeavam o barco com impressionante violncia. O mar parecia ter
enlouquecido e no havia nada que eu pudesse fazer a no ser
permanecer deitado e rezar. Choques tremendos, um barulho
assustador, tudo escuro: adormeci. E acordei, deitado no teto, quase
me afogando em sacolas e roupas que vieram  cabea. Tudo ao
contrrio: eu havia capotado. Indescritvel sensao. Estaria
sonhando ainda?
  No. Alguns segundos, outra onda e tudo voltava  posio
normal, em total desordem!
  Mal tive tempo de analisar o que se passara, e o mundo deu
novamente uma volta completa, to rpida que nem cheguei a sair do
lugar. (...)

Amyr Klink no veleiro Parati.

<107>
  Ondas altas, altssimas, vindas de todos os lados e que, ao se
encontrarem, explodiam para cima. A superfcie do mar totalmente
desordenado estava branca. A espuma, saindo pela borda e passando
pela janelinha, me poupava daquele terrvel e irreal cenrio. Cercado
de ondas que despencavam em estrondos, no tinha a certeza se
realmente estava flutuando. (...) Como um bonequinho de tiro ao
alvo, que no sabe quando ser acertado, eu ficava esperando por
ondas que ouvia mas no podia ver...
  Senti o barco mais uma vez e, quando estava exatamente na crista
da onda, alguma coisa soltou-se e despenquei no vazio. Algo de
errado acontecia. Fui projetado com fora contra o teto e a ouvi o
estrondo da arrebentao passando por cima. Mais uma vez o mundo
estava de pernas para o ar. (...)
  Talvez no tenham passado trs minutos, mas cada minuto foi
uma eternidade. O barco parecia solto, correndo instvel com o mar,
descendo as ondas em velocidade. Vesti o casaco vermelho, sa rpido
para fora, e minhas dvidas se confirmaram: o cabo da ncora-de-mar
se havia partido. (...)
  Precisava preparar outra biruta com pelo menos outro tanto de
cabo para evitar que o barco ficasse de travs para as ondas e
capotasse novamente. Os dedos tremiam ao fazer os ns e as
emendas. Estava nervoso e precisava ser rpido.
  O vento h muito ultrapassara os 55 ns de velocidade, e as ondas
j beiravam os nove metros de altura com borrifos de espuma que
mal me deixavam enxergar. Mas os remos todos estavam no lugar,
nenhum se havia quebrado. (...) Senti (...) um profundo orgulho do
meu barquinho. Ele cumprira o seu maior compromisso -- o de ser um
joo-teimoso, e provara que era um forte. (...)
  Numa operao delicada, atado ao cinto de segurana, escorreguei
deitado at a proa, (...) voltei para dentro, fechando a portinhola justo
a tempo de evitar a visita de outra onda. Dentro, que delcia! Tudo
seco e, ante a total ausncia do zunido ensurdecedor do vento, podia
ouvir minha prpria respirao.
  Troquei as roupas molhadas e deitei exausto. Adormeci. (...)
  Ao abrir os olhos, duas horas depois, o mar continuava forte, mas o
vento sul tinha diminudo. 
<p>
Dei um berro de alegria e saltei para os remos.

<R+>
Amyr Klink. *Cem dias entre cu e mar*. So Paulo: Companhia das Letras, 1995.
<R->

<108>
<R+>
Seguindo as pistas do texto

 1. a) Qual  o sentido das palavras do quadro?
 impressionante -- indescritvel -- irreal -- instvel
 b) H algo em comum entre as palavras do quadro?

 2. Faa uma lista de todas as palavras do texto que voc no conhece.
  Depois, procure seu significado no dicionrio.
 3. Estaria sonhando ainda?
  A quem o narrador faz essa pergunta?
 4. Os dedos tremiam ao fazer os *ns* e as emendas.
<R->
  Escreva uma frase que traga a 
<p>
palavra destacada com
outro sentido.

<R+>
Discutindo as idias do texto

 1. Em sua opinio, por que o autor deu o ttulo O mundo de pernas
para o ar ao texto?
 2. Quantas vezes o barco capotou? Em que pargrafo(s) essa situao 
narrada?
 3. Como um bonequinho
  de tiro ao alvo (...)
  O que o autor quis representar
com essa comparao?
 4. Explique esta frase:
  Talvez no tenham passado trs minutos, mas cada minuto foi
uma eternidade.
 5. Em sua opinio, Amyr Klink, o autor do texto, tem esprito de
aventureiro?
<R->

<109>
Agora voc escreve

  Imagine que voc  um grande aventureiro e est fazendo uma viagem
muito perigosa. Para divulgar seus feitos, voc precisa escrever um dirio,
contando tudo o que acontece durante sua jornada.
  Para esta atividade, narre tudo o que aconteceu nos dois dias mais
emocionantes da viagem.

Avaliando o texto

  Leia o relato para um amigo que no estude na mesma escola que
voc e pergunte a ele:
  -- O relato  interessante?
  -- O texto transmite a emoo e o perigo vividos na viagem?

<110>
Divertimento

  Uma viagem espacial? Que aventura!

<R+>
O Carimbador Maluco

 Cinco, quatro, trs, dois...
 Parem, esperem a.
 Onde  que vocs pensam que vo?

 Plunct, Plact, Zummm
 No vai a lugar nenhum (bis)

 Tem que ser selado, registrado, carimbado
 Avaliado e rotulado se quiser voar!!
 Pra Lua, a taxa  alta
 Pro Sol, identidade
 Mas j pro seu foguete viajar pelo universo
  preciso meu carimbo dando sim, sim, sim.

 O seu Plunct, Plact, Zummm
 No vai a lugar nenhum (bis)

 Mas ora, vejam s, j estou gostando de vocs
 Aventura como esta eu nunca experimentei!
 O que eu queria mesmo era ir com vocs
 Mas j que eu no posso, boa viagem!
 E at outra vez!
<p>
 
 Agora, o Plunct, Plact, Zummm
 Pode partir sem problema algum (bis)

Boa viagem, boa viagem.

Raul Seixas. ~,www.raulseixas.~
  com.br~, Acesso: 5 nov. 2004.

 1. Converse com um colega: de acordo com a cano, que tipo de
viagem ser feita? Qual  a condio bsica para viajar?
 2. Que recursos foram usados para imitar o som do foguete e o
incio da viagem?
<R->

<111>
Texto do dia-a-dia

  Voc vai ler uma entrevista com um desportista brasileiro que foi eleito
O Atleta do Sculo XX.
<p>
Quando tnhamos reis

  Pel, o atleta do sculo, deu cinco entrevistas a VEJA (). A
primeira foi em 1969, na mesma semana em que fez o milsimo gol,
jogando pelo Santos, contra o Vasco, no Maracan. (...)
<R+>
 Veja: O que voc achou da confuso criada pela Fifa em torno da
eleio do maior jogador do sculo?
 Pel: Foi desnecessria. Acho que ningum tinha dvida antes sobre
quem foi o melhor jogador de futebol de todos os tempos. Ningum
tem dvida agora. O melhor jogador foi Pel. O Diego Maradona
ganhou uma Copa do Mundo e fez 341 gols. O Romrio tambm
ganhou uma Copa do Mundo e fez 760 gols. () No dia em que surgir
um jogador que vena trs Copas do Mundo, dois campeonatos
mundiais de clubes e faa mais de 1.300 gols eu quero estar vivo para
passar-lhe pessoalmente a faixa de melhor do mundo em todos os
tempos. Mas, sinceramente, no acho que surja outro Pel.
 Veja: Por que voc fala do Pel como se fosse outra pessoa?  como
se Pel fosse uma entidade separada de voc...
 Pel: E  mesmo. O Pel  um fenmeno eterno do esporte. Eu sou
o Edson. Meu pai queria que eu fosse sempre o Edson, por causa
daquele cientista que inventou a luz eltrica. Era um nome valorizado
l no interior. () Mas quer saber de uma coisa? Para mim foi bom
separar o Pel do Edson. ()  uma formidvel linha de defesa 
<p>
  para
que o Edson possa ter uma vida mais ou menos normal. (...)

Revista *Veja*. Edio comemorativa de aniversrio, ed. 1821. So Paulo: Abril, set. 2003. Especial 35 anos.

 1. De que maneira a entrevista est sendo apresentada ao leitor?
 2. A linguagem utilizada na entrevista  formal ou informal? Justifique sua
resposta com um trecho do texto.
 3. As respostas do entrevistado foram interessantes?
<R->

<112>
Roda de leitura

  Voc vai ler, agora, frases ditas por pessoas famosas.

  Madre Teresa de Calcut, Prmio Nobel da Paz em 1979: 
<p>
"A falta de amor  a maior de 
 todas as pobrezas".

<R+>
Madre Teresa de Calcut. ~,www.portaldafamilia.org~, 
  Acesso: 5 nov. 2004.
<R->

  Ayrton Senna, piloto brasileiro tricampeo da Frmula I: "Se voc quer ser bem sucedido, precisa ter dedicao total, buscar seu ltimo limite e dar o melhor".

<R+>
Ayrton Senna. 
  ~,www.portalbrasil.net~, 
  Acesso: 5 nov. 2004.
<R->

  Reverendo Martin Luther King Jr., Prmio Nobel da Paz em 1964: "Ns aprendemos a voar 
 como pssaros, a nadar como peixes, mas no aprendemos a conviver como irmos".

<R+>
Martin Luther King. 
  ~,www.psicologia.org.br~, 
  Acesso: 5 nov. 2004.
<R->

  Mohandas Mahatma Gandhi, lder nacional e espiritual indiano: "Amigo no  aquele que enxuga as suas lgrimas, e sim aquele que no as deixa cair". 

<R+>
Mahatma Gandhi. 
  ~,www.portalbragantino.com.br~, Acesso: 5 nov. 2004.
<R->

<113>
Divertimento

Radical Rex

<R+>
_`[{histria em quadrinhos. O dinossauro Rex joga futebol com seu amigo zango. O zango comenta: "Puxa! Essa bola foi um achado! vai que  sua, 
  Taffarel!" 
Rex observa: "Vai ser mole esse jogo contra a tal seleo de garotas, n?!" E 
o zango pergunta: "Afinal, pr que servem as meninas, heim?" Rex
responde: "Eu sei l!" Vem chegando uma dinossaura, que chama meio cantando: 
"Rapaazes!" E continua, 
  dirigindo-se a Rex: "Foi gracinha voc ter guardado minha bola! Tchaau, heim!..." Um cupido aponta sua flecha para Rex e ele fica abobalhado, vermelho, com a lngua para fora. Sua temperatura sobe, o corao salta no peito, os olhos transformam-se em dois coraes. Ao ver o amigo assim, o zango fala: "Ei, Rex! O que h? Voc est horrvel!" E enquanto Rex flutua no espao como um anjo, o zango vai embora enfurecido, dizendo: "Mulheres!..."

Tirinha de Ivan Zigg. Radical Rex. Revista *Cincia Hoje das Crianas*.
<R->

  Em grupos, concluam: qual  a graa da tirinha?

<114>
<p>
Vamos ler 4

  O narrador desta cano brinca de ser heri.
Veja quantas aventuras ele viveu!

<R+>
Joo e Maria

 Agora eu era o heri
 E meu cavalo s falava ingls
 A noiva do *cowboy*
 Era voc, alm das outras trs
 Eu enfrentava os batalhes
 Os alemes e seus canhes
 Guardava o meu bodoque
 E ensaiava um rock
 Para as matins

 Agora eu era o rei
 Era o bedel e era tambm juiz
 E pela minha lei
 A gente era obrigada a ser feliz
 E voc era a princesa
 Que eu fiz coroar
 E era to linda de se admirar
 Que andava nua pelo meu pas

<115>
<p>
 
 No, no fuja no
 Finja que agora eu era o seu brinquedo
 Eu era o seu pio
 O seu bicho preferido
 Sim, me d a mo
 A gente agora j no tinha medo
 No tempo da maldade
 Acho que a gente nem tinha nascido

 Agora era fatal
 Que o faz-de-conta terminasse 
  assim
 Pr l deste quintal
 Era uma noite que no tem mais fim
 Pois voc sumiu no mundo
 Sem me avisar
<p>
 E agora eu era um louco a perguntar
 O que  que a vida vai fazer de mim.

Sivuca e Chico Buarque. ~,www.chicobuarque.com.~
  brletras~, Acesso: 8 nov. 2004.

<116>
Seguindo as pistas do texto

 1. Faa uma lista das palavras do texto que voc no conhece e procure
seu significado no dicionrio.
 2. No texto, h duas palavras de origem inglesa. Quais so elas?

Discutindo as idias do texto

 1. De que o narrador do texto
brincou?
 2. Em sua opinio, por que o cavalo s
falava ingls.
 3. Quantas noivas tinha o *cowboy*?
 4. Qual era a noiva preferida do
*cowboy*? Por qu?
 5. O narrador, alm de ser rei, juiz e
bedel, tambm fazia leis. Cite um
trecho do texto em que isso 
mostrado.
 6. Em sua opinio, essa lei foi cumprida?
Por qu?
 7. Voc pode relacionar a construo
  Agora eu era ..., que se repete no
texto, com Era uma vez, dos
contos de fadas? Justifique sua
resposta.
<R->

<117>
Na ponta da lngua

  No texto Joo e Maria, o autor narra sua histria em trs tempos
diferentes: passado, presente e futuro.
<R+>
 1. Liste os advrbios de tempo e as formas verbais utilizados at a
segunda estrofe.
<p>
 2. Em relao ao verso a seguir, responda:
  Agora eu era o heri
 a) Que circunstncia o advrbio indica?
 b) Que forma verbal seria comumente utilizada para completar a frase
  Agora eu ..... o heri?
 c) Que tempo a forma verbal utilizada na frase indica? 
 d) Essa forma verbal indica que o narrador brincou uma vez ou que sua
ao se repetia no passado?
 e) Como se nomeia a forma verbal que indica esse tipo de passado?

 3. Existe um verso na segunda estrofe em que a forma verbal 
apresentada em um passado que est totalmente concludo? Que verso
 esse?
 4. Na terceira estrofe, a forma verbal tinha nascido sugere um passado
prximo ou distante? Por qu?
 5. Substitua a forma verbal acima por um nico termo, mantendo a idia
expressa nesse passado.
<R->

<118>
Uma atividade diferente

  Eles tambm so grandes
heris...

  Os bombeiros no atendem
s aos chamados para apagar
fogo em prdios. Eles salvam
pessoas e animais acidentados,
apagam incndios em florestas,
ajudam em acidentes com
produtos perigosos e ensinam a
evitar acidentes.

<R+>
Rosangela de Moura. *Folha de S. Paulo*. So
Paulo, 21 mar. 1997.
<R->

  Converse com a classe: que
profisso vocs consideram
herica?
  Depois de decidirem, convide
um profissional da rea para ir 
escola e falar sobre sua profisso,
as dificuldades que encontra para
realizar seu trabalho e algumas das
experincias de seu dia-a-dia.
  Alm disso, organizem um
painel com os heris do
cotidiano: os profissionais que
prestam servios importantes 
comunidade.

               oooooooooooo
<119>
<p>
Unidade 5

Brasileiros, sim senhor!

  Diferentes etnias, diferentes
sotaques, diferentes hbitos, diferentes
tradies...Todos peas desse grande
mosaico chamado 
 Brasil!

<120>
Uma atividade diferente

  Observe esta imagem:

<R+>
_`[{quadro composto por nove rostos pintados com formas e cores diferentes_`]

Mari Carmen Hernandez. Faces. ~,www.lefoyerdecostil.com~
  facesmilieu.htm~, Acesso: 31 jan. 2005.
<R->

<121>
  Em grupos, respondam:
<R+>
 a) Quantos rostos compem o quadro?
 b) Qual  a mensagem do quadro?
<R->

  Agora, toda a classe vai compor o retrato da 4 srie.
  Converse com sua famlia para saber um pouco mais sobre seus
antepassados. Eles podem ter vindo de diferentes partes do pas ou
mesmo do mundo! Em uma folha de papel, desenhe seu rosto e escreva as
informaes sobre sua origem.
  Todos os alunos vo afixar seu trabalho no mural da sala de aula. O
resultado ser um painel muito interessante.

<122>
Vamos ler 1

  O que voc sabe sobre o processo
de formao do povo brasileiro?

Nacionalidade

  O menino nissei
sentou no banco de
jardim. Teria uns onze
anos, comia sossegado o
seu sanduche de queijo.
Duas menininhas, uma
morena e outra ruiva, que
pulavam amarelinha, chegaram
junto dele e gritaram:
  -- Japons! Japons! Quer dizer a
hora pra ns?
  O menino olhou o pulso onde se
ostentava um enorme relgio niquelado,
disse que eram nove e meia e acrescentou:
  -- Eu no sou japons. Sou paulistano.
Nasci aqui, no Jardim Amrica.
  A ruivinha, mais velha, coou um
borrachudo na canela fina:
  -- Se voc no  japons, teu pai .
  -- No, meu pai nasceu em Batatais.
  -- Ento tua me.
  -- Ela tambm nasceu em Batatais.
  A menor, moreninha, fez o comentrio bvio:
  -- Ns te chamou japons porque tu tem cara de
japons.
  -- Meu av  que era japons. E a minha av.
E acho que meus tios.
  A pequenininha estava maravilhada com aquele milagre
biolgico.
  -- Nunca vi pessoa ser brasileiro e ter cara de japons. Eu
pensava que brasileiro era tudo igual.
<123>
  A maior ensinou:
  -- Nem todo brasileiro  igual. Negro  brasileiro e 
diferente.
  -- Negro  africano, observou com certa malcia aquele a
quem chamavam de japons.
  -- Como  que voc sabe?
  -- Aprendi na aula.
  -- Na minha rua tem muito judeu. Ns tudo somos judeu,
contribuiu a ruivinha para enriquecer a conversao.
  A outra quis saber:
  -- E onde  a terra de judeu?
  -- Meu pai veio da Rssia. E o meu av. A minha me veio
da Polnia. (...)
  -- Meu pai disse que a terra dos judeus se chama Israel,
lembrou-se de repente a ruiva.
  -- Ento como ele  da Rssia?
  Mistrio. Os trs se entreolharam. Afinal o rapaz sugeriu:
  -- S se  mentira do teu pai.
  -- Mentira do teu! Teu pai  que  um japons mentiroso!
  -- J falei que o meu pai  brasileiro.
  A pequena moreninha pacificou:
  -- No xingue. Eu tambm sou brasileira. Eu nasci em
Campos e o meu pai nasceu em Campos e o meu irmo e a
bab, todo mundo na minha casa nasceu em Campos.
  A ruiva riu:
  -- Tudo  campeiro?
  -- No, a gente diz  campista. Campos fica no estado do
Rio de Janeiro.
  (...)
  Houve um silncio.
  E a menor indagou, passado um instante:
  -- E onde  o lugar que s tem brasileiro?
  Os outros dois ficaram algum tempo pensando, olhando
para uns pombos que bicavam na areia. Afinal a menina falou:
  -- Gente grande  muito misturado. Acho que deve ser num
lugar onde s tem criana.

<R+>
Raquel de Queiroz. *Seleta*. Rio de Janeiro: Jos Olympio, 1973.

<124>
Seguindo as pistas do texto

 1. O que significa a palavra nissei?
 2. Observe o processo de formao da palavra brasileiro:
 brasil + eiro
 a) O que significa a terminao -eiro?
 b) Por que a menina criou o nome campeiro?

 3. No texto, h outras palavras que indicam origem. Cite-as, explicando a
formao de cada uma delas.
<p>
Discutindo as idias do texto

 1. Na narrao, quando se constri uma personagem,
faz parte dessa construo dar um nome a ela.
  Entretanto, verifica-se que, na histria, as personagens
no tm nome. Como voc explica isso?
 2. O narrador intervm algumas vezes para fazer
comentrios sobre as personagens. Que comentrio
foi feito  reao de uma personagem sobre a
origem de outra?
 3. A histria se passa em um jardim. Em que bairro de
que cidade fica esse jardim?
 4. No texto, predomina o discurso direto, isto , o
registro da fala das personagens como ocorreu. Que
efeito isso produz para o leitor?
 5. Qual  o tema do texto?
 6. Voc concorda com a ltima fala do texto? Por qu?
<R->

<125>
<p>
Na ponta da lngua

  -- Tudo  campeiro?
  -- No, a gente diz  campista.

<R+>
 1. O que significa o adjetivo campista?
<R->

  Os *adjetivos ptrios* so aqueles que indicam procedncia ou
nacionalidade.

<R+>
 2. Escreva os adjetivos correspondentes aos seguintes estados do Brasil:
 a) Bahia 
 b) Paran 
 c) Minas Gerais
 d) Gois 
 e) Tocantins
<R->
<p>
  Observe o mapa do Brasil.
Cada um dos Estados 
representado por uma sigla.

<R+>
_`[{contedo do mapa, a seguir_`]
 Amazonas AM; Acre AC;
 Roraima RR; Rondnia RO;
 Amap AP; Par PA;
 Tocantins TO; Maranho MA;
 Piau PI; Cear CE;
 Rio Grande do Norte RN;
 Paraba PB; Alagoas AL;
 Pernambuco PE; Sergipe SE;
 Bahia BA; Mato Grosso MT;
 Mato Grosso do Sul MS;
 Gois GO; Distrito Federal DF;
 Minas Gerais MG;
 Esprito Santo ES;
 So Paulo SP;
 Rio de Janeiro RJ;
 Paran PR; Santa Catarina SC;
 Rio Grande do Sul RS.
<R->
 
  As *siglas* so um caso
especial de abreviatura, e
utilizam as letras ou
slabas iniciais de uma ou
mais palavras.

<R+>
 1. A que estado brasileiro se referem as siglas abaixo?
 a) AC 
 b) RS
 c) PE
 d) ES
 e) MS

 2. a) Qual  a sigla do Estado onde voc mora?  a mesma sigla do
Estado onde voc nasceu?
 b) Por que  importante conhecer essas siglas?
<R->

<126>
Curiosidade

  Os sinais so uma forma de comunicao criada pelo homem. Mas
eles no tm o mesmo significado em todos os lugares...

  (...) As crianas tambm se
comunicam, antes mesmo de
saber falar, por gestos, por
rudos, por expresses.
  O adulto, mesmo sabendo
falar, tambm se comunica por
gestos. O gesto de levantar ou
abaixar o polegar 
compreendido por todos,
desde o tempo dos romanos. O
aceno de quem vai embora, o
sorriso, o abanar da cabea,
para dizer sim ou no, so
formas de comunicao que
dispensam a palavra, embora
variem de significao, de um
povo para o outro. (...)
  O sonho do entendimento
universal est ainda longe de se
realizar.
  No entanto, a busca de uma
linguagem que possa ser
compreendida por todos 
constante.
  Hoje, em todas as cidades
do mundo, encontramos sinais
de trnsito, avisos que probem
o fumo, indicaes para
toaletes masculinos ou
femininos, praticamente iguais.

<R+>
Ruth Rocha e Otvio Roth. 
  *O livro dos gestos e
dos smbolos*. So Paulo: Melhoramentos, 1992.
<R->
<L>
<127>
  Cuidado ao fazer o sinal de
positivo fora do Brasil! No Japo,
alm de significar que est tudo
bem, o gesto tambm simboliza a
palavra namorado. Para dizer
namorada,  s levantar o dedo
mindinho.

  Na Bulgria, virar a cabea
de um lado para o outro
significa *sim* e levantar e
abaixar a cabea quer dizer
*no*. Exatamente o contrrio
do Brasil.

  Quando os holandeses
acham que algum est
mentindo, eles do uma
chupada bem rapidinha
na ponta do dedo da
mo.

  Na Finlndia, pega mal ficar
de braos cruzados na frente
dos outros. Podem achar que
voc  metido. No Japo, ficar
com as mos dentro dos bolsos
ao conver-
<p>
sar com as pessoas 
a maior falta de educao.

<R+>
Patricia Oyama. *Revista Kid's*. So Paulo:
CD Expert, mar. 1994. (Texto adaptado.)
<R->

<128>
Texto dialoga com texto

  Voc vai ler, agora, um poema que fala sobre a saudade de um
brasileiro vivendo longe de sua ptria e uma charge que faz referncia a
esse poema.

<R+>
 A --
 Cano do exlio

 Minha terra tem palmeiras,
 Onde canta o sabi;
 As aves que aqui gorjeiam
 No gorjeiam como l.
 
 Nosso cu tem mais estrelas,
 Nossas vrzeas tm mais flores,
<p>
 Nossos bosques tm mais vida
 Nossa vida, mais amores (...)

Gonalves Dias. *Poesia*. Rio de Janeiro:
Agir, 1975. (Nossos Clssicos).

<129>
 B --
  Vida de Passarinho

_`[{histria em quadrinhos de Caulos. Um passarinho voa. Sob o cu estrelado, ele comente:
  -- Gonalves Dias: "Nosso cu tem mais estrelas..."
Voando sobre flores, ele continua: -- "Nossas vrzeas tem mais flores"... 
Planando feliz no espao, ele prossegue: 
-- ... "Nossa vida mais amores". Ainda voando ele diz: -- "Minha terra tem palmeiras onde canta o sabi." 
E pensa: -- O sabi sou eu. Encontra um toco de tronco 
<p>
  e conclui: -- Essa *era* a palmeira_`]

Caulos. *Vida de passarinho*. Porto Alegre: L&PM, 1989.

<130>
 1. No texto A,  exaltada a natureza brasileira. Que elementos da
natureza o autor do poema exalta?
 2. Existe, no poema, uma oposio entre dois espaos, entre dois lugares
diferentes. Copie duas palavras que marcam essa
oposio.

 3. Os quadrinhos tratam do mesmo tema que o poema, mas falam da
natureza de uma outra forma.
 a) Qual  a inteno do cartunista quando se refere  natureza?
 b) Que palavra, no ltimo quadrinho, indica essa inteno?
<R->
<p>
Detalhe puxa detalhe

  Faa, agora, uma pesquisa iconogrfica sobre a natureza brasileira.

  A *iconografia*  a arte de representar por imagens.

  Junte-se a um colega e recorte, de revistas, imagens de diferentes estados do Brasil, mostrando
a exuberncia de nossa natureza. A seguir, com os outros colegas, montem um
painel com as imagens. No se esqueam de dar um ttulo ao painel.

<131>
Trabalhando a oralidade

  Quais so nossas origens? Por que temos hbitos oriundos de culturas
to diferentes? Leia o texto a seguir, observando a entonao que deve ser
dada. Depois, debata com os colegas: quem somos ns?

Quem somos ns?

  Todas as naes e pessoas manifestam curiosidade em relao a
seus antepassados. Os brasileiros, mais que os habitantes de pases de
populao homognea, tm interesse redobrado pelo assunto. H um
mistrio e um problema na gerao do povo brasileiro. O mistrio 
saber o que cada um de ns . Europeus, negros e ndios esto na
base gentica dos 170 milhes de habitantes do pas. Sabe-se hoje
que mais de 60% dos que se julgam brancos tm sangue ndio ou
negro correndo nas veias. O problema est no fato de que essa
mestiagem influi na maneira como a populao se enxerga. (...)
  Somos majoritariamente mestios (), mas os censos populacionais
pecam pela impreciso: branco, negro ou pardo so categorias cravadas
com base na aparncia, no contexto social, na autopercepo. ()
  Um conjunto de pesquisas, comandadas pelo geneticista Danilo
Pena, da Universidade de Minas Gerais (UFMG), comea a estabelecer
com preciso, do ponto de vista da gentica, quem so e de onde vm
os brasileiros (...).
  Um brasileiro com todas as caractersticas externas de branco,
mostra o estudo, pode ser portador do mesmo perfil gentico que um
africano da gema. Da mesma forma, um brasileiro de pele escura pode
ser geneticamente to branco quanto um descendente de europeu. (...)
  Em 500 anos de Histria, o Brasil construiu no trpico um pas de
cultura riqussima, colorida por uma luz toda especial nas festas, na
culinria, na msica. O Brasil est entre as dez maiores economias do
mundo, e seu povo, com todas as dificuldades prticas trazidas por
diferenas de renda e educao, aprende rpido, exibe capacidade
incomum de adaptar-se a novidades e de contornar o desastre. Essa 
uma herana positiva que muitos pensadores da atualidade
destacam. No passado, porm, a corrente dominante da inteligncia
nacional 
s via defeitos naquilo que  uma de nossas virtudes. (...)

<R+>
Revista *Veja*. ed. 1680. So Paulo: Abril, 20 dez. 2000.
<R->

<132>
Vamos ler 2

Direito  cultura

  O que  cultura? Cultura  aquilo que
nos pe em contato com o que h de mais
profundo na pessoa -- seu modo de sentir,
de pensar, de se expressar. Atravs da
cultura voc chega a todos os povos do
mundo e compreende que ser diferente do
outro no quer dizer ser melhor ou pior.
  Voc pode ter cultura religiosa, cultura
artstica, cultura geral. Sempre procurando
aperfeioar a prpria sensibilidade, a
prpria criatividade atravs da msica, do
teatro, da dana, do esporte e de todas as
formas de se manifestar. (...)
   muito bom conhecer culturas
diferentes da nossa. Isto enriquece nossa
vida, porque podemos aprender muito. (...)
Quantas vezes ouvimos nossos avs ou
nossos professores contarem histrias e
lendas de outros povos, que nos fazem
pensar que o mundo no  s nossa cidade
e nosso pas. Vamos abrir os olhos para
descobrir quantas formas interessantes de
viver existem e compreender que cada povo
tem direito  sua cultura.

<R+>
Maria Clara Machado. *Criana tambm tem direito*.
Rio de Janeiro: Salamandra, 1998.

<133>
<p>
Seguindo as pistas do texto

 1. Leia o verbete do dicionrio:

 C --
 Cultura s.f. 1. Cultivo agrcola;
2. A parte ou o aspecto da vida
coletiva, relacionados  produo
e transmisso de conhecimentos, 
criao intelectual e artstica, etc.
3. Atividade intelectual de um
indivduo, saber, instruo; 4.
Refinamento de hbitos, modos
ou gostos.

*Novo Aurlio -- O Dicionrio da Lngua Portuguesa*.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000.

 1. Identifique o significado de *cultura* apresentado no texto de Maria
Clara Machado.
 2. Escreva frases com a palavra cultura com os demais sentidos
apresentados no dicionrio.
<p>
 3. Transcreva trechos do texto que caracterizem:
 a) uma definio;
 b) uma opinio;
 c) um pedido.

 4. A seguir, escreva a(s) palavra(s) que marca(m) a definio, a opinio e o
pedido:

<134>
Discutindo as idias do texto

 1. Observe as idias de cada pargrafo de acordo com a maneira como a
autora escreveu o texto.A seguir, responda:
 a) Em sua opinio, o primeiro pargrafo traz uma idia geral sobre
cultura? Comprove sua resposta com trechos do texto.
 b) No segundo pargrafo, a autora vai tornando as idias mais
especficas. Que idias so essas? Como ela faz isso?
<p>
 2. De acordo com o texto,  possvel afirmar que, para Maria Clara
Machado, a cultura de um povo pode ser superior  de outro?
  Transcreva do texto a passagem que comprova a opinio da autora.
 3. De que formas uma cultura
pode ser desrespeitada? Voc
conhece alguma cultura que
foi ou que est sendo
desrespeitada?
 4. Voc concorda com Maria
Clara Machado sobre a
importncia de conhecer
culturas diferentes da sua?
Justifique.

Maria Clara Machado
<R->

<135>
Detalhe puxa detalhe

  *Resumo*  um pequeno texto contendo as idias principais e
as relaes dos conceitos e das idias sobre um determinado
assunto.
<p>
  Antes de elaborar um resumo,  preciso ler o texto completo e
selecionar suas principais idias.
  Faa um resumo do texto Direito  cultura. Selecionar a idia
principal de cada pargrafo pode ser um bom comeo...
  Agora, complete:

  Cultura  .....
  ... mas as culturas no so .....
  Por meio da cultura chega-se .....
   bom conhecer outras culturas porque .....
  Tipos de cultura: ....., ..... e .....

<136>
Divertimento

  No texto, Maria Clara Machado define o que  cultura e depois
explica essa definio, dando exemplos.Assim, constri o texto,
passando de idias mais gerais para idias mais especficas.
  Ao falar sobre um determinado assunto, podemos resumi-lo
usando palavras ou expresses que se apliquem a conceitos mais
genricos e vice-versa.
  Por exemplo: a palavra *cultura*  um termo genrico, pois abrange
especialidades como dana, msica, teatro etc.

cultura :> dana :> msica :> 
  teatro

  Agora, descubra qual  a
idia geral que abrange
os elementos a seguir:

<R+>
 a) vinho, suco, gua, guaran, leite;
 b) feijoada, sopa, salada, macarronada, frango;
 c) futebol, remo, ginstica, vlei, jud.
<R->

<137>
Na ponta da lngua

  H determinadas classes de palavras que sustentam a idia principal de
uma frase ou de um pargrafo.
<R+>
 1. Observe as palavras destacadas:
 Atravs da *cultura* voc *chega*
a todos os *povos* do mundo (...)
 a) Essas palavras sustentam a idia principal da frase?      
 b) A que classe gramatical elas pertencem?

 2. Do trecho abaixo do texto Direito  Cultura, selecione as palavras
chave e indique a que classe gramatical elas
pertencem:
  Sempre procurando aperfeioar a prpria sensibilidade, a prpria
criatividade atravs da msica, do teatro, da dana, do esporte e de
todas as formas de se manifestar.
<138>
<p>
 3. Veja, agora, como fazer um esquema do texto   
 Direito  cultura.

  Cultura
 1) Conceito/Definio

 2) Tipos de cultura
  religiosa
  cultural
  artstica

 3) Conhecimento de diferentes culturas
 a) Como foi organizado o esquema?
 b) Qual  a diferena entre um resumo e um esquema?
<R->

<139>
Agora voc escreve

  Nesta seo, a classe vai se dividir em grupos para fazer uma pesquisa
sobre a cultura brasileira. Cada grupo seleciona uma manifestao cultural
de uma regio do Brasil. Para tanto,  necessrio cumprir algumas etapas:
<p>
  O que ser pesquisado?
  O grupo vai especificar o assunto selecionado e formular perguntas
sobre ele.
  Qual  o objetivo da pesquisa?
  Determinar o objetivo da pesquisa para delimitar o tipo de
informaes que se quer.
  Onde pesquisar?
  Fazer um levantamento das fontes de informaes disponveis: livros,
revistas, internet, entrevistas, jornais, vdeos, filmes...
  Como pesquisar?
  Ler, selecionar e anotar as principais informaes encontradas nas
diferentes fontes de pesquisa.Organizar as anotaes em forma de roteiro
ou esquema para preparar um resumo das informaes encontradas.

  No se esqueam de apresentar as partes da pesquisa como foi visto
na Unidade 4.
<p>
Avaliando o texto

  Chegou o momento da apresentao da pesquisa.
  Cada grupo vai apresentar, oralmente, o resultado de sua pesquisa para
os colegas e o professor avaliarem.
  As imagens pesquisadas podem ser afixadas no quadro-de-giz, para que
todos as vejam. Depois, entreguem o trabalho escrito para o professor,
incluindo um resumo do texto.
  O professor vai analisar:
<R+>
 1. O resumo est de acordo com o assunto especfico de cada grupo?
 2. Os pargrafos foram redigidos de acordo com o roteiro ou esquema
de idias?
<R->

<140>
Roda de leitura

  Diferentes autores falam das coisas do Brasil de maneiras diferentes.
Leia os textos e, com seus colegas, veja que aspecto da vida brasileira est
sendo apresentado.

<R+>
Samba do Arnesto

 O Arnesto nus convid prum samba
 Ele mora no Brs
 Nis fumus, num encontremos ningum
 Nis vortemos cuma baita duma riva
 Da outra veiz nis num vai mais
 O que foi que nis feiz?
 Noutro dia encontremos com Arnesto
 Que pediu desculpas
 Mas nis num aceitemos
 Isso no se faiz, Arnesto
 Nis no se importa
 Da outra veiz nis num vai mais
 Mas voc divia ter ponhado um recado na porta

Adoniran Barbosa. In: *Nova histria da msica popular 
  brasileira*. So
Paulo: Abril Cultural, 1978.

Prenda minha

 Vou-me embora, vou-me embora prenda minha
 Tenho muito que fazer
 Tenho de parar rodeio, prenda minha
 Nos campos do bem-querer

 Noite escura, noite escura, prenda minha
 Toda noite me atentou
 Quando foi de madrugada, prenda minha
 Foi-se embora e me deixou

Adaptao folclrica de Kleiton & Kledir.
  ~,http:www.paginadogaucho.~
  com.br~, Acesso: 9 nov. 2004.

<141>
Aquarela do Brasil

 (...)
 Ah, ouve essas fontes 
  murmurantes
 Ah, onde eu mato minha sede
 E onde a lua vem brincar

 Ah, este Brasil lindo e
 trigueiro
  o meu Brasil brasileiro
 Terra de samba e pandeiro

 Pra mim, Brasil
 Brasil, pra mim

Ary Barroso.
~,http:www.mpbnet.com.br~
  canto.brasileiro~,
Acesso: 9 nov. 2004.

 doce morrer no mar

  doce morrer no mar,
 Nas ondas verdes do mar

 A noite que ele no veio foi,
 Foi de tristeza pra mim
 Saveiro voltou sozinho
 Triste noite foi pra mim

  doce morrer no mar,
 Nas ondas verdes do mar
<p>
 
 Saveiro partiu de noite, foi
 Madrugada no voltou
 O marinheiro bonito
 Sereia do mar levou.

  doce morrer no mar,
 Nas ondas verdes do mar

 Nas ondas verdes do mar, meu bem
 Ele se foi afogar
 Fez sua cama de noivo
 No colo de Iemanj

Dorival Caymmi.
~,http:www.mpbnet.com.br~
  canto.brasileiro~,.
Acesso: 
  9 nov. 2004.
<R->

<142>
Vamos ler 3

  A *literatura de cordel* faz
parte da cultura popular
nordestina. So folhetos que,
sempre com rimas e estrofes
que possuem seis ou sete
versos, abordam assuntos
variados. Falam de amor, das
dificuldades pessoais, das
secas, das catstrofes, de
bravura, de temas polticos e
religiosos, das coisas do dia-a-dia.
Tm esse nome porque
costumam ser expostos
pendurados em cordis.
  Autores famosos tambm
escrevem cordel!
  Leia, agora, um exemplo da
literatura de cordel escrito por
Ana Maria Machado.
  Observe o ritmo das
palavras e da fala melodiosa.

<R+>
A peleja

 Vire para mim seu ouvido
 E escute o que vou contar
 As manhas de um corajoso
 Chamado Z Ribamar,
 Por sobrenome Rufino
 Fez coisas de arrepiar,
 Lutou contra o Monstro mais
 doido,
 Fez santo descer do altar.

 Quando essa histria comea,
 No tinha nada demais.
 O Z vivia em seu canto,
 Gostava de muita paz.
 Trabalhava todo o dia
 -- O que muita gente no faz --
 E quando jogava bola
 Deixava o Pel pra trs.

 Um dia, depois do jogo,
 Uma donzela o chamou.
 Era to doce, to linda,
 Corao se alvoroou...
 Mas veio contar um caso
 Que o povo inteiro assustou.
 S Z Ribamar Rufino
 Com nada se apavorou.

<143>
 Foi todo mundo escutando
 De olhar arregalado
 Os malfeitos de um monstro
 Que de longe era chegado.
 Tinha queimado florestas
 Tinha o rio envenenado,
 Tinha secado pastagens
 Deixando tudo arrasado. (...)

 O nosso Jos Ribamar
 Por sobrenome Rufino
 No tinha cara de heri
 Era magrelo e franzino,
 Mas a donzela pedia
 Com jeito manso e divino...
 Veio mexer sua vida,
 Veio mudar seu destino.

 Corao bate-que-bate
 Corao equilibrista
 Cambalhota, vai e volta,
 Faz do vaqueiro um artista.
 E Z Ribamar Rufino
 Disse logo: -- No desista!
 Vou vencer o Monstro Doido,
 Mas te levo em minha vista!

Ana Maria Machado.
*Arte para criana -- arte popular*.
So Paulo: Berlendis & Vertecchia, 1986.

<144>
Seguindo as pistas do texto

 1. O que significa a palavra *peleja*?
 2. Esse poema conta a histria de Jos Ribamar Rufino. No entanto, h
uma outra histria que surge no meio do texto. Copie o trecho que
confirma essa passagem.
 3. No poema, a histria de Z Ribamar divide-se em dois momentos.
  Indique as estrofes que marcam esses momentos.

 4. Nos versos do poema, o narrador caracteriza Z Ribamar e a donzela
da histria. Indique os versos que descrevem:
 a) os traos fsicos de Z Ribamar;
 b) os traos psicolgicos de Z Ribamar;
 c) os traos fsicos da donzela:
 d) os traos psicolgicos da donzela:

 5. Que caracterstica de Z Ribamar est presente nos versos:
  E quando jogava bola/deixava o Pel pra trs.
<p>
Discutindo as idias do texto

 1. Qual  a relao entre a histria de Z Ribamar e o ttulo do
poema?
 2. A donzela fez um pedido a Z Ribamar. Qual pedido foi esse?
 3. O que levou o narrador a afirmar que, para vencer o desafio, Jos
Ribamar de vaqueiro se fez artista?
 4. O que sugere a atitude da personagem no final da histria?
 5. Em sua opinio, esse poema possui todas as caractersticas do texto de
cordel apresentadas no incio da seo?

<145>
Ateno  fala e  escrita

 1. Observe:
  As *manhas* de um corajoso
 a) O que acontece com a palavra manhas se voc colocar
 na slaba -nhas?
 b) Dentre as palavras abaixo, quais estariam na mesma situao da
palavra *manhas* ao receber  na ltima slaba?
  galinha -- pena -- Roma -- cama -- vizinha -- Ana -- cirurgia
<R->

<146>
Uma atividade diferente

  A hora  de redigir um poema de cordel!
  Escolha um tema, as personagens e o ambiente e crie, com eles, uma
histria em versos.
  Depois, grampeie as
pginas formando folhetos.
  O professor vai esticar ou colocar um
barbante no ptio da escola, como se fosse um
varal, para que todos possam pendurar ali seus
folhetos, como numa autntica feira nordestina.
  Faa, com seus colegas, cartazes anunciando a
exposio de cordel e distribuam na escola, para
que os outros alunos e os professores conheam o
trabalho de vocs. Convide tambm a famlia para
apreciar sua arte!
  No dia da exposio, cada aluno l o poema que escreveu, procurando
transmitir toda a emoo e aventura de sua histria.Vai ser muito divertido!

               oooooooooooo
<147>
<p>
Unidade 6

Ler  bom, no ?

  Quem no gosta de uma boa histria? Quem no
se emociona com um romance? Quem no quer
desvendar o mundo em uma boa fbula? Quem no ri
lendo um texto engraado?

<148>
Uma atividade diferente

  Estes desenhos esto contando uma histria?

<R+>
_`[{quatro desenhos. No primeiro, um homem pr-histrico faz desenhos na parede de sua caverna. No segundo, a parede sofreu desgastes do tempo e s resta um pedao dela com os desenhos do homem primitivo. No terceiro, um egpcio escreve hierglifos num papiro. No quarto desenho, uma folha de papel mostra os desenhos da caverna, os hierglifos, a escrita chinesa e as letras do nosso alfabeto_`]
<R->

  Escreva, em uma folha de papel, a histria contada pelos desenhos.
Depois, afixe seu trabalho no mural da classe, para que todos os colegas
possam l-lo. Ser que todos entenderam a seqncia de imagens da
mesma maneira?

  Para saber mais sobre o que
esses desenhos representam, leia
*O livro da escrita*, de Ruth Rocha
e Otavio Roth, da Editora
Melhoramentos.

<149>
<p>
Vamos ler 1

  O primeiro dia de aula ainda tem o gostinho das frias, no ?

Um

  O primeiro dia de aula  o dia que eu mais gosto
em segundo lugar. O primeiro que eu mais gosto
em primeiro  o ltimo, porque no dia seguinte
chegam as frias.
  Os dois so os melhores dias na escola porque
a gente nem tem aula. No primeiro dia no d
para ter aula porque o nosso corpo est na escola,
mas a nossa cabea ainda est nas frias. E no ltimo,
tambm no d para ter aula porque o nosso corpo est na escola,
mas a nossa cabea j est nas frias.
  Era o primeiro dia e era para ser a aula de portugus mas no era
porque todo mundo estava contando das frias. E como todo mundo
queria contar mais do que ouvir, o barulho na classe estava mesmo
ensurdecedor. O que explica o fato de ningum ter escutado a
professora gritando para a gente parar de gritar. Todo mundo estava
bem surdo mesmo. Mas quando ela bateu com os livros em cima da
mesa a nossa surdez passou e todo mundo olhou para ela. Ela estava
de p, na frente do quadro e ficou em silncio, com uma cara bem
brava, olhando para a gente. (...)
  A professora puxou a cadeira dela e se sentou.
Atrs dela, no quadro-negro, eu vi decretado o fim das nossas
frias e o fim do nosso primeiro dia de aula sem aula. Estava escrito:
  Redao: escrever 30 linhas sobre as frias.
  Eu sabia que as frias de ningum iam ser mais as mesmas na
hora que virassem redao.  simples: frias  legal, redao  chato.
Quando a gente transforma as nossas frias numa redao, elas no
so mais as nossas frias, so a nossa redao. Perdem toda a graa.
  Todo mundo tirou o caderno de dentro da mochila. Menos eu.
  Eu fiquei olhando para aquela frase no quadro enquanto os zperes
e velcros das mochilas eram os nicos barulhos na sala. De repente as
nossas frias ficaram 
silenciosas. Onde j se viu frias sem barulho?

<R+>
Christiane Gribel. *Minhas 
  frias, pula uma linha, pargrafo*. Rio de Janeiro: Salamandra, 1999.
<R->

<150>
<R+>
Seguindo as pistas do texto

 1. Logo no incio do relato, o aluno faz um jogo com algumas palavras,
repetindo-as:
 a) Que palavras so essas?
 b) Que idia essas palavras 
  sugerem?

 2. No segundo pargrafo, o narrador continua essas repeties, utilizando
agora somente uma nica palavra -- que indica quantidade. Que
palavra  essa?

 3. Como a maioria dos relatos pessoais, o texto possui uma linguagem
informal, isto , uma linguagem prxima da oralidade, do jeito de as
pessoas falarem.
 a) Encontre, nesse mesmo pargrafo, trs exemplos que confirmem
essa afirmativa.
 b) Como ficariam essas frases escritas em uma linguagem menos
informal?

 4. Nos dois primeiros pargrafos, o narrador est sempre justificando suas
atitudes. Que palavra  usada, na maioria das vezes, para iniciar essa
justificativa?
 5. queria *mais* contar *do que* ouvir
  Que relao as palavras em negrito estabelecem entre a ao de
contar e a de ouvir?
<p>
 6. Eu fiquei olhando para aquela frase
no quadro enquanto os zperes e
velcros das mochilas eram os nicos
barulhos na sala.
<R->

  No trecho acima, h uma palavra que d uma idia de concomitncia,
isto , de que os fatos esto acontecendo ao mesmo momento. Que
palavra  essa?

<151>
Discutindo as idias do texto

<R+>
 1. O relato mostra a experincia do primeiro dia de aula.
  Voc pode afirmar que esse dia foi feliz para o narrador? Por qu?
 2. Quem conta a histria  o narrador-personagem e, em um trecho, ele
reproduz, com suas prprias palavras, a fala da professora. Que trecho  esse?

 3. O relato est dividido em quatro partes, de acordo com diferentes
idias: na primeira parte, o narrador faz comentrios sobre o primeiro
e o ltimo dia de aulas.
 a) O que o narrador faz na segunda parte do texto?
 b) Qual  o assunto da terceira parte?
 c) Como termina o relato?

 4. Houve, nas quatro partes do texto, mudanas nos tempos verbais
correspondentes s aes do narrador? Converse com o professor
sobre isso.
 5. Para falar de sua experincia, em alguns momentos o narrador usa um
tom cmico. Procure, no terceiro pargrafo, um trecho que justifica essa
afirmao.

 6. D sua opinio:
 a) O primeiro dia de aula  sempre do jeito descrito no texto?
 b) Como voc se sente quando retorna  escola aps as frias?
 c) Para voc, escrever redaes  difcil?
<R->

Agora voc escreve

  E voc, gosta de escrever? Escreva seu depoimento contando o que
voc sente quando coloca suas idias no papel.
  Leia para a classe seu relato e oua o que seus colegas pensam do ato
de escrever!

<152>
 Detalhe puxa detalhe

  O relato de experincia pessoal  um texto escrito sempre na 1 pessoa -- eu ou ns.
  Observe:
  ... *eu* vi decretado o fim das *nossas* frias e o fim do *nosso*
primeiro dia de aula sem aula.

  Entre as espcies de pronomes, h os *pessoais*, que se referem s
pessoas do discurso: eu, tu, ele, ns, vs, eles; os *possessivos*, que
indicam posse: meu, teu, seu, nosso, vosso, dele e suas variantes; e,
como voc j sabe, os *demonstrativos*, que apontam a posio de um
ser em relao a uma pessoa do discurso: isto, isso, aquilo, este, esse,
aquele e suas variantes.

<R+>
 1. Copie o texto a seguir e complete
as lacunas com os pronomes do quadro.
  meu -- minha -- eu -- minha -- eu -- estas -- meu
<R->

  ..... sou um cachorro da cidade. No tenho
raa nenhuma, me chamam injustamente de
vira-lata. Apesar de ser um vira-lata, ..... tenho
um nome: Palito, que foi dado pela _ dona,
que achava o ..... latido muito fino. (...)
  No tenho muitas pulgas, apenas um
quarteto de msica que toca atrs no ..... rabo.
  Eu digo para ..... dona, apontando para as pulgas:
<p>
  -- ..... pulgas coam terrivelmente,
principalmente quando decidem tocar rock.

<R+>
Dilia Frate. Vira-pulga. *Histrias para acordar*.
So Paulo: Companhia das Letrinhas, 1998. (Texto adaptado.)
<R->

<153>
Divertimento

  Ainda hoje alguns povos usam escritas pictogrficas e
ideogrficas.
  Os chineses ainda escrevem assim:
<R+>
 Homem + rvore = descanso
 2 rvores = bosque
 3 rvores = floresta

Ruth Rocha e Otvio Roth. 
  *O livro da escrita*. So Paulo: Melhoramentos, 1992.
<p>
 1. Agora, crie formas que expressem as idias a seguir,  maneira da
escrita chinesa:
 a) estudo
 b) brincadeira
 c) descoberta
 d) frias
<R->

<154>
Vamos ler 2

  Voc, agora, vai ler um aplogo escrito por Machado de Assis,
considerado um dos maiores escritores brasileiros.

  *Aplogo*  uma narrativa que traz uma lio de sabedoria.

Um aplogo

  Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:
  -- Por que est voc com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada,
para fingir que vale alguma cousa neste mundo?
  -- Deixe-me, senhora.
  -- Que a deixe? Que a deixe por qu? Porque lhe digo que est com
um ar insuportvel? Repito que sim, e falarei sempre que me der na
cabea.
  -- Que cabea, senhora? A senhora no  alfinete,  agulha. Agulha
no tem cabea. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que
Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
  -- Mas voc  orgulhosa.
  -- Decerto que sou.
  -- Mas por qu?
  --  boa! Porque coso. Ento os vestidos e
enfeites de nossa ama, quem  que os cose, seno eu?
  -- Voc? Esta agora  melhor. Voc  que os cose?
Voc ignora que quem os cose sou eu, e muito eu?
  -- Voc fura o pano, nada mais; eu  que coso,
prendo um pedao ao outro, dou feio aos babados...
  -- Sim, mas que vale isso? Eu  que furo o pano,
vou adiante, puxando por voc, que vem atrs,
obedecendo ao que eu fao e mando...
  -- Tambm os batedores vo adiante do imperador.
  -- Voc imperador?
  -- No digo isso. Mas a verdade  que voc faz
um papel subalterno, indo adiante; vai s mostrando o caminho,
vai fazendo o trabalho obscuro e nfimo. Eu  que prendo, ligo, ajunto...
<155>
  Estavam nisto, quando a costureira chegou  casa da baronesa.
No sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que
tinha a modista ao p de si, para no andar atrs dela. Chegou a
costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a
linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando
orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os
dedos da costureira, geis como os galgos de Diana -- para dar a isto
uma cor potica. E dizia a agulha:
  -- Ento senhora linha, ainda teima no que dizia h pouco? No
repara que esta distinta costureira s se importa comigo: eu  que vou
aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...
  A linha no respondia nada; ia andando. Buraco aberto pela
agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o
que faz, e no est para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela
no lhe dava resposta, calou-se tambm, e foi andando. E era tudo
silncio na saleta de costura; no se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic
da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura,
para o dia seguinte; continuou ainda nesse e no outro, at que no
quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.
  Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a
ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum
ponto necessrio. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e
puxava a um lado ou outro, arregaava daqui ou dali, alisando,
abotoando, acolchetando, a linha, para mofar da agulha, perguntou-lhe:
  -- Ora, agora, diga-me, quem  que vai ao baile, no corpo da
baronesa, fazendo parte do vestido e da elegncia? Quem  que vai
danar com ministros e diplomatas, enquanto voc volta para a caixinha
da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga l.
  Parece que a agulha no disse nada; mas um alfinete, de cabea
grande e no menor experincia, murmurou  pobre agulha:
  -- Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela 
que vai gozar da vida, enquanto a ficas na caixinha de costura. Faze
como eu, que no abro caminho para ningum. Onde me espetam, fico.
  Contei esta histria a um professor de melancolia, que me disse,
abanando a cabea:
  -- Tambm eu tenho servido de agulha a muita linha ordinria!

<R+>
Machado de Assis. Vrias histrias. In: *Obra completa*. Rio de Janeiro: Aguilar, 1962.

<156>
Seguindo as pistas do texto

 1. Algumas expresses foram usadas em sentido figurado, isto , em
sentido diferente do original. Com que sentido as expresses a seguir
foram utilizadas no texto?
 a) ... toda enrolada...
 b) ... sempre que me der na cabea.
 c) ... no abro caminho para ningum...
 d) Onde me espetam, fico.
 e) ... a muita linha ordinria!
<p>
 2. Em um trecho do aplogo, o narrador utiliza
uma onomatopia. Que trecho  esse?

Discutindo as idias do texto

 1. O aplogo mostra o desentendimento
de duas personagens. Quem comea a briga?
 2. Que tipo de provocao ela faz?
 3. Qual  o motivo da discusso?

 4. Quais so os argumentos que elas utilizam para reforar seu ponto de vista?
 a) a agulha: 
 b) a linha:

 5. Quando a costureira inicia seu trabalho, a agulha volta a provocar a
linha. Como a linha se comporta?
 6. Na hora do baile,  a linha que recomea a discusso. O que ela diz
para a agulha?
<p>
 7. O aplogo termina dando um conselho. De que maneira isso  feito:
 a) pelo alfinete?
 b) pelo amigo do narrador?
<R->

<157>
Trabalhando a oralidade

  Com a classe, organizem um debate, analisando o comportamento das
personagens do aplogo e tambm o comentrio final.
  A classe ser dividida em dois grupos, que tero de defender, com
argumentos coerentes, sua opinio sobre os seguintes temas:
<R+>
 a) A agulha  invejosa?
 b) A linha  orgulhosa?
 c) O alfinete foi realmente amigo da agulha?
 d) O alfinete e o amigo do narrador esto certos em sua opinio a
respeito de ajudar os outros?
<R->

<158>
<p>
Curiosidade

  Voc sabe quem foi Machado de Assis?

Quem escreveu esta histria

  ... foi Machado de Assis, cujo
nome completo era Joaquim Maria
Machado de Assis. Ele nasceu no
Morro do Livramento, um lugar
do Rio de Janeiro, a 21 de junho
de 1839, no tempo em que o
Brasil era governado por um
imperador. Seu pai, Francisco
Jos de Assis, era dourador e
pintor de paredes; sua me, Maria
Leopoldina Machado, uma lavadeira
que nasceu em Portugal.
  Moravam de favor num grande
terreno pertencente  viva de um
homem rico e importante. Ainda
menino, Machado de Assis perdeu a
irm, a me, e logo depois o pai. Morando com a madrasta, Maria
Ins, foi baleiro na escola (que no pde freqentar), depois
coroinha na igreja, aprendiz numa grfica, revisor de textos,
jornalista e, j casado, funcionrio pblico.
  O menino pobre, tmido, gago, mesmo sem poder matricular-se
no colgio, achou uma soluo para estudar. Com uns padeiros que
vieram da Frana, aprendeu francs; escutava nos corredores da
escola as aulas que os professores davam; e juntava tudo que era
livro que encontrava pelo caminho. Logo logo j estava escrevendo
histrias, versos e comentrios com tamanho capricho e imaginao
que em pouco tempo tornou-se o escritor mais respeitado do pas.
  (...) Quando j no havia mais imperador e o Presidente da
Repblica era Afonso Pena, a 29 de setembro de 1908, na mesma
cidade onde nasceu e sempre morou, Machado de Assis morreu e
foi enterrado com muitas homenagens.
<p>
  Nessa casa da rua Cosme Velho,
no Rio de Janeiro, viveu Machado
de Assis (no detalhe).

<R+>
Paulo Bentancur. *Agulha ou 
  linha, quem  a rainha*? (um aplogo). Porto Alegre: 
  Projeto, 1998.
<R->

<159>
Detalhe puxa detalhe

  O aplogo encanta o leitor pela maneira interessante como o dilogo
 conduzido.
  No texto, falam as personagens, mas h tambm a presena do
narrador em duas perspectivas diferentes:
<R+>
 a) Narrador-observador: aquele que conta a histria sem participar
dela, em 3 pessoa;
 b) Narrador-personagem: aquele que participa da histria, em 1 pessoa.
<p>
 1. Repare que o travesso indicando as falas inicia um pargrafo.
  Volte ao texto das pginas 227 e 228 e indique quantos pargrafos
marcam a fala das personagens.
 2. Quantos pargrafos -- sem travesso -- referem-se ao narrador?

 3. Indique os pargrafos em que:
 a) o narrador-personagem entra na histria;
 b) o narrador-observador apresenta as personagens.
<R->

Divertimento

  A classe vai ser dividida em dois grupos para brincar com algumas
falas das personagens do aplogo de Machado de Assis.
  Um grupo seleciona a fala de uma das personagens para que o
outro grupo a reproduza, como se fosse o narrador.
A seguir, os grupos invertem os papis, para
que todos possam dramatizar as falas.

<160>
Na ponta da lngua

  Na seo Divertimento, voc observou que se pode apresentar de
diferentes maneiras a fala das personagens.
  Confira:

 A --
 -- Mas voc  orgulhosa.
 -- Decerto que sou.

<R+>
 B --
 A linha disse para a agulha que ela era orgulhosa e a linha
confirmou.

 1. Em que texto o narrador est reproduzindo, com suas palavras, a fala
da personagem?
 2. Em que texto aparece somente a fala da personagem?
<R->
<p>
  No *discurso direto*, o narrador cita as palavras exatamente como
foram ditas; no *discurso indireto*, o narrador utiliza suas prprias
palavras para citar o que outra pessoa disse.

<R+>
1. Transforme os trechos a seguir utilizando o discurso indireto:
 a) -- Voc fura o pano, nada mais; eu  que coso, prendo um pedao
ao outro, dou feio aos babados...
 b) Eu  que furo o pano, vou adiante, puxando por voc, que vem
atrs, obedecendo ao que eu fao e mando... 
<R->

<161>
Agora voc escreve

  Escreva um aplogo. Escolha dois objetos como personagens e crie
uma situao de conflito entre eles, contada por um narrador-observador.
Use discurso direto e indireto e travesses, para marcar os dilogos. E no
se esquea: o final de sua histria deve fazer os leitores refletirem...

Avaliando o texto

  Leia seu texto para um colega responder:
<R+>
 1. Foi criada uma situao de conflito entre as personagens?
 2. O narrador  observador?
 3. O travesso foi usado corretamente no discurso direto?
 4. H algum trecho em discurso indireto? Qual?
 5. As palavras esto escritas de acordo com as normas ortogrficas?
<R->

<162>
Vamos ler 3

  A histria de Romeu e Julieta  um clssico da literatura mundial.
Escrita ainda no sculo XVI, j chegou at s telas de cinema...
<p>
Romeu e Julieta

  Por volta de 1600, havia na cidade de Verona, na Itlia, duas
famlias inimigas: os Capuleto e os Montecchio. (...)
  A casa dos Capuleto estava toda iluminada. Benvlio, Romeu e seu
amigo Merccio, sobrinho do prncipe de Verona, entraram
mascarados, como pedia o convite. Contavam que ningum os
reconhecesse, pois sabiam que, como membros da famlia
Montecchio, nunca seriam bem recebidos naquela casa.
  (...) de repente, Romeu deu com uma menina que no teria mais
de quinze anos. (...).
  -- Permita-me, formosa dama, beijar a mais bela mo que olhos
humanos j viram! (...).
  -- Esse atrevimento  um pecado!
  -- Poderei pagar por esse pecado? -- disse Romeu.
  -- E como quer pagar? -- sorriu novamente a jovem.
  -- Com outro beijo, igualmente terno...
  -- O senhor  muito exato em contas de beijos... (...).
  Nesse momento aproximou-se do par uma velha criada:
  -- Menina, sua me quer lhe falar.
  -- Quem  que quer falar a esta jovem? -- perguntou Romeu (...).
  -- Ora essa! A me dela, que  a dona desta casa!
  A moa cumprimentou Romeu com um leve aceno e seguiu a criada.
  Surpreendido, paralisado, o moo s pde murmurar:
  -- (...)  uma Capuleto! Minha vida pertence  minha inimiga! (...)
  Enquanto ele se afastava, a jovem Julieta Capuleto perguntava (...):
  -- Ama, quem  o rapaz que me beijou de forma to gentil? Quero saber seu nome... e se  casado.
  -- Ento no sabe? Aquele  Romeu, dos Montecchio! O filho nico da famlia que  nossa inimiga!
  -- Inimigo? Como? E por qu? Se  ele o que meu corao ama! (...)
  Estavam ambos apaixonados para sempre. (...)

<R+>
William Shakespeare. *Romeu e Julieta*. Adapt. Renata Pallottini. So Paulo: 
  Scipione, 2000.

<163>
Seguindo as pistas do texto

 1. Apresente um sinnimo para as seguintes palavras do texto:
 a) formosa 
 b) par 
 c) interrupo
 d) surpreendido

 2. Agora, apresente um antnimo para estas outras palavras do texto:
 a) inimizade 
 b) aborrecido 
 c) gentil
 d) paralisado

 3. Nos dilogos do texto, h
palavras que retomam termos
ditos anteriormente.A que
personagem se referem os
termos grifados, evitando a
repetio de nomes no texto?
 a) ...Ela respondeu-*lhe*
 b) Romeu, olhando-*a* de longe...

 4. Na expresso Ora essa, que aparece no texto, qual  o sentido da
palavra essa?

Discutindo as idias do texto

 1. Por que era interessante para Romeu e Merccio irem  festa
mascarados?
 2. Qual foi a reao de Romeu quando soube que a moa que o atrara
era da famlia inimiga?
 3. Qual foi a reao de Julieta ao saber que Romeu era um Montecchio?
 4. Pelo trecho lido, voc consegue imaginar como  o final da histria?
 5. Qual  o momento mais emocionante da narrativa?
<R->

<164>
Texto dialoga com texto

  Leia agora um trecho de Romeu e Julieta em verso para teatro.

<R+>
 Romeu: Ri das chagas quem jamais foi ferido! (Aparece Julieta, em
cima, numa janela.) Mas, silncio! Que luz brilha atravs da janela? 
o Oriente e Julieta  o Sol! (...)
 Julieta: Ai de mim!
 Romeu: Oh, fala ainda, anjo luminoso (...)
 Julieta:  Romeu, Romeu! Por que s Romeu? Renega
teu pai e recusa teu nome; ou se no quiseres, jura-me
somente que me amas e no serei mais uma Capuleto.
 Romeu: ( parte) Continuarei a ouvi-la ou vou falar-lhe
agora? (...)
 Julieta: Como chegaste at aqui? Dize-me e por qu? Os
muros do jardim so altos e difceis de subir e o lugar  a
morte, considerando-se quem sejas (...)
 Romeu: Com as leves asas do amor, transpus estes
muros, porque os limites de pedra no servem de
empecilho para o amor. (...) Assim, teus parentes no me
so empecilhos.
 Julieta: Se te virem, matar-te-o. (...)
 Romeu: Tenho o manto da noite para ocultar-me dos
olhos de teus parentes. Ama-me somente e que eles
aqui me encontrem.  melhor que termine minha
vida, vtima do dio que me dedicam, do que
esperando teu amor, minha morte retardada. (...)
 Julieta: (...) a mscara da noite cobre meu rosto, seno
um rubor (...) teria enrubescido minhas faces (...) Tu
<p>
  me amas? Sei que responders sim (...)
 Romeu: Senhora, juro por essa lua que coroa de
prata as copas destas rvores frutferas... (...)

William Shakespeare. Romeu e Julieta. In: *Tragdias*. Trad. F. Carlos de Almeida Cunha Medeiros e
Oscar 
  Mendes. So Paulo: Crculo do Livro, 1993.

 1. Observe que os dilogos usam, muitas vezes, uma linguagem figurada.
  Selecione dois exemplos em que isso acontece e justifique sua escolha.
 2. Qual  a diferena entre o texto narrativo e o texto teatral?
<R->

<165>
<p>
Trabalhando a oralidade

  Que tal dramatizar o trecho apresentado da histria de Romeu e Julieta?
  Primeiro, a classe faz a leitura do texto. Depois, so
discutidas as idias e os sentimentos expressos em cada fala.
  Em seguida, vocs devem escolher os colegas que
vo representar Romeu e Julieta, ensaiar o texto
e os gestos e criar o cenrio e os figurinos. Preparem
a sala para a encenao e o lugar para a platia.
  Na poca em que o texto Romeu e Julieta foi encenado
pela primeira vez, no sculo XVI, o pblico interferia na
histria, mudando a cena e as falas. Ento, a platia de sua classe
tambm poder alterar as cenas ou mesmo mudar o final da histria!
<p>
Ateno  fala e  escrita

  Releia em voz alta a fala de Julieta.
  A *mscara* da noite cobre meu rosto (...)
  Agora, leia a seguinte frase:
  Renato se mascara para o baile de Carnaval.
<R+>
 1. Com relao  slaba tnica, o que essas palavras tm de diferente?
 2. O deslocamento da slaba tnica altera o sentido dessas palavras?
 3. Qual  a letra que est marcando a tonicidade?
<R->

  As palavras que possuem a slaba tnica na antepenltima slaba
so chamadas de *proparoxtonas*; na penltima slaba, de *paroxtonas*;
e na ltima slaba, de *oxtonas*.
<p>
<R+>
 4. Observe a posio da slaba tnica das palavras a seguir e verifique se
houve alterao nesta slaba.
 a) cantaram/cantaro 
 b) esta/est
<R->

<166>
Roda de leitura

  Leia, agora, um poema que lembra uma outra histria... Que histria
ser essa? Mas, ateno: no se deixe enganar... Uma histria pode lembrar
uma histria, que lembra outra histria...

<R+>
 I --
 H muito tempo
 no muito longe daqui,
 havia um reino muito engraado.
 Todas as coisas
 Eram separadas pela cor.
 Branco, amarelo, azul,
 vermelho, preto.
<p>
 
 II --
 O que era branco morava junto
 com o que era branco.
 Todas as flores brancas
 no mesmo canteiro.
 As borboletas brancas
 s visitavam o canteiro branco.

 III --
 Todas as flores azuis
 num canteiro separado.
 E as borboletas azuis
 s visitavam este canteiro.
 no havia misturas...

 IV --
 Num canteiro amarelo,
 morava uma linda famlia
 de borboletas amarelas.
 Tinham uma filhinha.
 chamada Julieta.

 V --
 Ela era muito engraadinha.
 J sabia voar.
 De manh,
<p>
 voava com sua me
 de flor em flor!

 VI --
 Mas quando Julieta queria voar
 para o canteiro azul,
 sua me dizia:
 -- No, Julieta,
 cada borboleta no seu canteiro!

<167>
 VII --
 Julieta ficava triste.
 Fechava as asas,
 abaixava as antenas
 e chorava
 uma lgrima amarela de borboleta...
 
 VIII --
 No canteiro de miostis,
 morava uma famlia
 de borboletas azuis.
 Tinham um filhinho
 chamado Romeu.
<p>
 
 IX --
 Romeu era muito engraado.
 Sabia voar para a frente e para trs
 Dava cambalhotas no ar.
 Voava com uma asa s.
 Borboletava por todo canto.

 X --
 O pai sempre falava:
 -- Romeu, Romeu,
 nada de passeios
 nos canteiros de outra cor,
  perigoso!
 
 XI --
 -- Ah, papai,
 as rosas so to cheirosas...
 -- Cheiro no  tudo na vida, meu filho.
 Lugar de borboleta azul
  no canteiro azul.
 Sempre foi assim...

Ruth Rocha. *Romeu e Julieta*. So Paulo: tica, 1996.
<R->

<168>
Texto do dia-a-dia

  H vrias formas de amor. Pode ser como Romeu e Julieta, mas
tambm se manifesta de outras maneiras...
  Veja os cartazes a seguir. 
 Eles retratam cenas de amor?

<R+>
 A --
 _`[{filme "Lisbela e o prisioneiro", de Guel Arraes. A ilustrao apresenta em primeiro plano o casal de protagonistas; ele, sorridente e ela, com expresso terna, encostada a ele, com a cabea apoiada em seu ombro_`]

<169>
 B --
 _`[{filme "Central do Brasil", de Walter Salles. A ilustrao apresenta uma mulher madura deitada, com a cabea apoiada no colo de um menino, que afaga os cabelos dela com ternura_`]

 1. Que formas de amor so retratadas nos cartazes?
 2. Que recursos foram usados nos cartazes para chamar a ateno?
<R->

<170>
Divertimento

  Agora, voc vai dar sua verso de Romeu e Julieta. Forme dupla
com um colega e criem uma histria em quadrinhos contando o que
aconteceu com os dois jovens.
  Dividam uma folha de papel em seis partes. Em cada parte,
desenhem uma cena.
  Usem a imaginao! Se
quiserem, misturem suas
personagens favoritas dos
quadrinhos, recontando a histria
de Romeu e Julieta de maneira
bem divertida!
  Depois, afixem seu trabalho no
mural da sala de aula, para que
todos seus colegas possam v-lo.
<p>
Vamos ler 4

  Agora, voc vai ler uma crnica escrita por Luis Fernando Verissimo.

  *Crnica*  um texto curto que fala de situaes atuais, do dia-a-dia.

A bola

  O pai deu uma bola de presente ao filho. Lembrando o prazer que
sentira ao ganhar a sua primeira bola do pai. Uma nmero 5 sem
tento oficial de couro. Agora no era mais de couro, era de plstico.
Mas era uma bola.
<171>
  O garoto agradeceu, desembrulhou a bola e disse Legal!. Ou o
que os garotos dizem hoje em dia quando gostam do presente ou no
querem magoar o velho. Depois, comeou a girar a bola,  procura de
alguma coisa.
  -- Como  que liga? -- perguntou.
  -- Como, como  que liga? No se liga.
  O garoto procurou dentro do papel de embrulho.
  -- No tem manual de instruo?
  O pai comeou a desanimar e a pensar que os tempos
so outros. Que os tempos so decididamente outros.
  -- No precisa de manual de instruo.
  -- O que  que ela faz?
  -- Ela no faz nada. Voc  que faz coisas com ela.
  -- O qu?
  -- Controla, chuta...
  -- Ah, ento  uma bola.
  -- Claro que  uma bola.
  -- Uma bola, bola. Uma bola mesmo.
  -- Voc pensou que fosse o qu?
  -- Nada, no.
  O garoto agradeceu, disse Legal de novo, e dali a pouco o pai o
encontrou na frente da tev, com a bola nova do lado, manejando os
controles de um videogame. Algo chamado Monster Ball, em que
times de monstrinhos disputavam a posse de uma bola em forma de
blip eletrnico na tela ao mesmo tempo que tentavam se destruir
mutuamente. O garoto era bom no jogo. Tinha coordenao e
raciocnio rpido. Estava ganhando da mquina.
  O pai pegou a bola nova e ensaiou algumas embaixadas.
Conseguiu equilibrar a bola no peito do p, como antigamente, e
chamou o garoto.
  -- Filho, olha.
  O garoto disse Legal mas no desviou os olhos da tela. O pai
segurou a bola com as mos e a cheirou, tentando recapturar
mentalmente o cheiro do couro. A bola cheirava a nada. Talvez um
manual de instruo fosse uma boa 
<p>
idia, pensou. Mas em ingls,
 para a garotada se interessar.

<R+>
Luis Fernando Verissimo. *Comdias para se ler na escola*. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
<R->

<172>
<R+>
Seguindo as pistas do texto

 1. Releia:
  Lembrando o prazer que *sentira* ao ganhar a sua primeira bola do pai.
  Que expresso pode substituir a palavra grifada sem alterar o sentido
da frase?
 2. A palavra *mas* costuma ser usada no sentido de oposio. No trecho:
  Agora no era mais de couro, era de plstico.
  *Mas* era uma bola.

  essa palavra indica somente oposio?
 3. A palavra legal foi usada trs vezes pelo
narrador. O que ela significa em cada parte do texto?
<R->

  Voc j sabe que *gria*  uma variante da lngua usada por um
determinado grupo. Legal, por exemplo,  normalmente usada pelos
jovens.

<R+>
 4. Que recurso o autor usou para apresentar a gria no texto? Por qu?

Discutindo as idias do texto

 1. Voc considera atual o tema da crnica? Por qu?

 2. Na crnica, o pai do menino demonstra diferentes sentimentos. Como
ele se sente quando:
 a) d o presente ao filho?
 b) conversa com o filho sobre o presente?
 c) v o filho jogando *video game*?

 3. Em sua opinio, por que o pai cheira a bola?

<173>
 4. Mesmo decepcionado, o pai do garoto acaba compreendendo a atitude
do filho. Que frase(s) do texto comprova(m) isso?

 5. Toda a narrativa acontece em um determinado local.
 a) No incio do texto, fica claro o local onde a criana estava quando
recebeu o presente?
 b) Depois, o narrador indica um lugar. Que lugar  esse? 

 6. Em sua opinio:
 a) os sentimentos do pai antecipam o final do conto?  
 b) independentemente da lngua em que foi escrita, a cena retratada na
crnica s poderia acontecer no Brasil? Por qu?
 c) as crianas hoje s se interessam por brinquedos eletrnicos e do
mais importncia a produtos importados?
<R->
<p>
Detalhe puxa detalhe

  Esta unidade trabalhou com diferentes tipos de narrativas: relato
pessoal, aplogo, romance, crnica...
  Voc e seus colegas vo se dividir em quatro grupos. Cada grupo copia
o quadro a seguir em uma folha de papel e escolhe um dos textos da
unidade para analisar. Completem o quadro com os elementos da narrativa
e, depois, apresentem seu trabalho para a classe em um seminrio.
<R+>
  Quem  o narrador?
  Como so apresentadas as personagens?
  O perfil das personagens  conhecido por suas aes ou est
descrito no texto?
  Usa-se o discurso direto ou o discurso indireto?
  Qual  o local da narrativa?
  Em que tempo a histria se passa?
<p>
  H comentrios do narrador? Quais?
  H comentrios das personagens? Quais?
<R->

<174>
Curiosidade

  Muitas palavras oriundas de lnguas estrangeiras so usadas em
nosso dia-a-dia.
  Em seu texto, Luis Fernando Verissimo utiliza as expresses *Monster
Ball e blip*.

<R+>
 1. Voc sabe o que essas palavras significam? Foi possvel entender o
significado delas apenas pelo texto?
 2. Organize um quadro como o apresentado a seguir.
<R->
  Procure em jornais e revistas palavras de origem estrangeira e
complete seu quadro com elas.

 Palavra estrangeira: ..... 
  origem: ..... 
  significado: .....

  *Estrangeirismo*  o emprego de palavras, expresses ou
construes de outras lnguas.

<175>
Uma atividade diferente

  Leia o poema:

<R+>
 Procura-se um equilibrista
 Que saiba caminhar na linha
 Que divide a noite do dia
 Que saiba carregar nas mos
 Um fino pote cheio de fantasia
 Que saiba escalar nuvens arredias
 Que saiba construir ilhas de 
  poesia
 Na vida simples de todo dia.

Roseana Murray. *Classificados poticos*.
Belo Horizonte: Miguilim, 1984.
<R->

  Ser que o equilibrista que a autora procura  um escritor?
  Nesta atividade, voc e seus colegas vo promover um dia de escrita
livre. Convidem todas as pessoas que trabalham em sua escola para
participar.Vale usar qualquer tema, desde que seja em forma de narrativa.
  Depois que os textos estiverem prontos, organizem um grande mural
nos corredores da escola, para que todos possam ler as histrias
produzidas.
  Quem sabe no h grandes escritores em sua escola?

               xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxo
